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Mostrando postagens de setembro, 2026

O Cofre dos Sonhos Esquecidos: Como a vida adulta terceiriza a alma para pagar o condomínio

Um dia, sem aviso, percebi que não lembrava mais o que queria da vida. Não o que preciso — isso está claríssimo, basta abrir o extrato bancário. Estou falando do que queria de verdade, antes de a vida adulta me empurrar para dentro desse carrossel corporativo que gira, gira, gira… e nunca para no brinquedo que você realmente queria. Crescemos com o roteiro oficial: estudar, trabalhar, talvez formar família, e colecionar boletos como se fossem figurinhas raras. “Sonhar? Isso é luxo de adolescente sem conta para pagar.” O mundo nos convence de que viver é manter as luzes da Sala Estar acesas e a geladeira abastecida, como se o objetivo da existência fosse não congelar nem apodrecer antes da hora. A rotina adulta é um relógio com pilhas novas e alma cansada: acordar, higiene de catálogo de farmácia, trânsito que parece castigo coletivo, café com gosto de pressa, trabalho que exige mais relatórios do que respostas, almoço rápido e, à noite, a cama como caixa de devolução do corpo para o ...

Diversidade de Vitrine e Igualdade de Caixa: o shopping temático onde todo mundo paga o mesmo aluguel

Há uma cena que eu adoro imaginar — porque ela é elegante, absurda e tristemente real: um grande salão com mesas bem postas, taças polidas, guardanapos dobrados em formato de virtude. No centro, um cardápio grosso. Nele, dezenas de “diferenças” cuidadosamente descritas, com selo dourado e foto bonita. Você escolhe: diferença A com molho de propósito, diferença B com farofa de pertencimento, diferença C sem glúten, sem culpa, sem conflito. A experiência promete: seja você mesmo , desde que “você mesmo” caiba no nosso formulário. Eu fiquei cega aos 44 e, por isso, desconfio profundamente de toda virtude que vem com manual de instruções. Quando a moral vira protocolo, a humanidade vira fila. E quando a diferença vira produto , ela perde a única coisa que a tornava interessante: o risco de ser indomável. Não estou atacando a ideia de convivência. Pelo contrário: eu gosto de gente. O que me dá alergia é a diferença domesticada , aquela que não incomoda o caixa, não atrasa a reunião, n...