Feriado moral, segunda-feira de caixa
Tem sempre alguém na mesa dizendo que “a empresa cresce porque tem propósito”, como se propósito pagasse frete, como se valores sustentassem estoque, como se a palavra “cultura” quitasse boleto no vencimento. A cena é bonita: gente bem-intencionada, frases bem editadas, fotos bem iluminadas, e aquele ar de “somos diferentes” que o mercado ama vender — desde que o caixa não peça explicação. Só que, quando o teatro termina, a realidade assina com letra miúda. E a letra miúda, no Brasil, tem forma de recibo carimbado e saldo insuficiente. O oxigênio que ninguém posta Há um personagem que manda mais do que o diretor, mais do que o conselho, mais do que o planejamento estratégico com capa de couro: o intervalo entre vender e receber . Esse intervalo é o verdadeiro chefe. Ele não dá palestra. Ele dá falta. Capital de giro é essa coisa sem glamour que não vira foto de LinkedIn: é o ar entre a coragem de entregar e a paciência de esperar o dinheiro entrar. E “esperar” é um verbo caro. Caro do ...