A dívida que não se chama dívida
Existe uma moralidade curiosa em torno das dívidas. Empresa “boa” tem pouca. Empresa “prudente” tem caixa. Empresa “conservadora” exibe um gráfico de alavancagem descendo suavemente para a direita enquanto executivos falam em disciplina financeira com a serenidade de monges tibetanos que acabaram de descobrir o PowerPoint. Nós, acionistas, respiramos aliviados. A dívida líquida caiu. O EBITDA subiu. A relação entre os dois parece comportada. Quase dá vontade de mandar flores para o diretor financeiro. Só que boleto não lê apresentação de resultados. O número comportado Quando comecei a tentar entender dívidas empresariais, percebi que havia cometido um erro bastante confortável: imaginava que “dívida” fosse uma coisa. Não é. Bem, tecnicamente existe a dívida financeira. Empréstimos, financiamentos, debêntures e outras formas pelas quais alguém entrega dinheiro hoje esperando recebê-lo de volta amanhã, acompanhado de juros para recompensar o incômodo. Até aí, nada misterioso. A co...