O Tribunal de Bolso: quando o investidor vira juiz, júri e carrasco do próprio dinheiro
Eu adoro quando a gente decide que a vida precisa de um código penal para funcionar. Fica tudo mais limpo — e bem mais teatral. De um lado, os “disciplinados”; do outro, os “irresponsáveis”. No meio, um coro de gente séria, com frases prontas e sobrancelha treinada, explicando que o problema do mundo é a “falta de consciência”, a “degeneração dos valores”, a “crise ética”. Como se a humanidade fosse um condomínio e a existência, uma assembleia. Só que, quase sempre, o moralismo é só o figurino de algo mais íntimo: o prazer de julgar. E no mercado, esse prazer costuma vir com boleto. A toga do investidor O julgamento é uma droga socialmente aceita. Não dá ressaca, não engorda, não aparece no exame de sangue. Você pode condenar gente em silêncio, com educação impecável e até com um sorriso. O mundo te aplaude: “olha como ele tem opinião”. Só que opinião, quando vira compulsão, vira vício. E vício, quando encontra dinheiro, vira prejuízo com perfume. O investidor-juiz é aquele que en...