O Cofre dos Sonhos Esquecidos: Como a vida adulta terceiriza a alma para pagar o condomínio
Um dia, sem aviso, percebi que não lembrava mais o que queria da vida. Não o que preciso — isso está claríssimo, basta abrir o extrato bancário. Estou falando do que queria de verdade, antes de a vida adulta me empurrar para dentro desse carrossel corporativo que gira, gira, gira… e nunca para no brinquedo que você realmente queria. Crescemos com o roteiro oficial: estudar, trabalhar, talvez formar família, e colecionar boletos como se fossem figurinhas raras. “Sonhar? Isso é luxo de adolescente sem conta para pagar.” O mundo nos convence de que viver é manter as luzes da Sala Estar acesas e a geladeira abastecida, como se o objetivo da existência fosse não congelar nem apodrecer antes da hora. A rotina adulta é um relógio com pilhas novas e alma cansada: acordar, higiene de catálogo de farmácia, trânsito que parece castigo coletivo, café com gosto de pressa, trabalho que exige mais relatórios do que respostas, almoço rápido e, à noite, a cama como caixa de devolução do corpo para o ...