Quando o dinheiro corre demais, alguém está vendendo a saída: A inteligência artificial, o entusiasmo do mercado e a velha arte de não pagar caro por uma fantasia bem iluminada
O mundo financeiro adora se fantasiar de moral. Veste terno de prudência, passa perfume de inovação, sobe ao palco com voz grave e anuncia que estamos diante de uma nova era, daquela espécie que sempre exige urgência, capital abundante e suspensão temporária do bom senso. A plateia aplaude. Os bancos sorriem. Os relatórios engrossam. A palavra “disrupção” entra pela porta da frente como se tivesse pago ingresso VIP. No fim, alguém fica segurando um recibo amassado no balcão. E recibo, ao contrário de promessa, não aceita edição posterior. Luz demais A inteligência artificial é real. Convém começar por aí, antes que algum sacerdote da euforia me acuse de heresia tecnológica e mande me queimar numa fogueira feita de apresentações corporativas. A IA já transforma rotinas, acelera códigos, reorganiza escritórios, invade diagnósticos, escreve atas, resume contratos, sugere imagens, erra com confiança e acerta com uma eficiência que incomoda. Negar isso seria como negar a eletricidade porque...