A aposentadoria não avisa quando chega. Só começa a tirar os móveis do lugar
O mundo adora vestir a aposentadoria com roupas de domingo. Um casal grisalho caminha na praia, o céu permanece eternamente dourado, ninguém tem artrose, os filhos telefonam espontaneamente e o dinheiro brota de uma fonte discreta, administrada por uma senhora sorridente de blazer bege. Depois vêm as palavras “liberdade”, “merecimento” e “nova fase”, enquanto um violino higienizado toca ao fundo. Na vida real, a aposentadoria costuma chegar com uma senha do Meu INSS, três planilhas incompatíveis e uma consulta médica cujo recibo você guarda porque já não confia nem na memória nem no plano de saúde. A geração do “eu me viro” Há uma faixa da população brasileira que atravessou a vida inteira resolvendo problemas sem transformar cada dificuldade em conteúdo motivacional. São os quarentões-altos, os cinquentões já instalados e os recém-sessentões que aprenderam a trabalhar antes de aprender a descansar. Gente que viu a inflação comer o salário antes do almoço, guardou dinheiro em cader...