Diversidade de Vitrine e Igualdade de Caixa: o shopping temático onde todo mundo paga o mesmo aluguel
Há uma cena que eu adoro imaginar — porque ela é elegante, absurda e tristemente real: um grande salão com mesas bem postas, taças polidas, guardanapos dobrados em formato de virtude. No centro, um cardápio grosso. Nele, dezenas de “diferenças” cuidadosamente descritas, com selo dourado e foto bonita. Você escolhe: diferença A com molho de propósito, diferença B com farofa de pertencimento, diferença C sem glúten, sem culpa, sem conflito. A experiência promete: seja você mesmo , desde que “você mesmo” caiba no nosso formulário. Eu fiquei cega aos 44 e, por isso, desconfio profundamente de toda virtude que vem com manual de instruções. Quando a moral vira protocolo, a humanidade vira fila. E quando a diferença vira produto , ela perde a única coisa que a tornava interessante: o risco de ser indomável. Não estou atacando a ideia de convivência. Pelo contrário: eu gosto de gente. O que me dá alergia é a diferença domesticada , aquela que não incomoda o caixa, não atrasa a reunião, n...