O Mordomo de Silício e a Última Profissão Humana: aprender a viver quando o trabalho vira acessório
Dizem que a era do robô chegou. Eu, que perdi a visão e ganhei um radar para farsas, acho essa frase otimista demais — quase um slogan de inauguração de shopping. A era do robô não “chega”: ela vaza . Entra por baixo da porta, ocupa a sala enquanto você discute o preço do café e, quando percebe, sua rotina está sendo terceirizada para uma criatura sem cansaço, sem domingo e sem crise existencial. Acontece que nós, humanos, temos um vício antigo: achar que toda novidade é espetáculo. A tecnologia muda a estrutura do mundo e a gente responde com um misto de deslumbramento e preguiça intelectual. Um tipo de festa com música alta e extintor escondido. E é aí que mora o perigo elegante: não é o robô em si. É a nossa mania de tratar transformação histórica como se fosse tendência de vitrine . A automação não é um monstro: é um espelho (e ele não é lisonjeiro) Vamos colocar alguns números na mesa — não para bancar economista, mas para evitar o delírio. Um estudo recente da Organização Int...