Perdão Não Vira PIX: E outras verdades sobre desculpas corporativas com data vencida e selo de conveniência emocional
Existe um momento na vida — geralmente entre o fim das reuniões inúteis e o início da senilidade programada — em que certas criaturas do mundo corporativo descobrem que têm uma consciência. Não uma consciência crítica, dessas que denunciam desigualdades e desmontam sistemas perversos. Não. A consciência de que foram canalhas, mas que agora precisam de um gesto de “cura” que não inclua devolver o bônus, pedir demissão ou abrir espaço para quem realmente trabalha. Querem apenas um “perdãozinho” para dormir melhor. Você sabe do que estou falando. Aquele chefe que explorou sua alma, desvalorizou seu esforço, minimizou sua existência — e agora, passadas duas décadas, aparece com uma frase tímida: “Se em algum momento eu te fiz mal, me perdoa”. O “se” é sempre a melhor parte. Como se houvesse dúvida. Como se não houvesse testemunhas. Como se a memória das vítimas estivesse sujeita a revisão trimestral, tal qual os relatórios da empresa. Só que tem um detalhe: as vítimas evoluem. Crescem. F...