Carimbo de Modernidade: o país que normalizou a bagunça e chamou isso de “jeitinho brasileiro”
No Brasil, a gente adora uma cena de modernidade. Tem auditório, tem microfone, tem slide com palavras em inglês e tem um senhor muito convicto dizendo que “gestão é tudo”. A plateia aplaude como se tivesse descoberto o fogo. No intervalo, alguém reclama da fila, alguém reclama do sistema, alguém reclama da burocracia. Ninguém repara na ironia: o país que faz palestra sobre eficiência vive tropeçando no próprio balcão. E, no fim, quem valida o discurso é o mesmo objeto de sempre: o carimbo. Uma Data no Papel Existe um tipo de história que fica mais perigosa quando é verdadeira. Porque ela não precisa de exagero para doer. Em 1931, o Brasil organizou o ensino comercial por decreto e, dentro dele, colocou algo com um nome que parece inocente e, ao mesmo tempo, ambicioso: “curso superior de administração e finanças”. Não era um curso lateral. Estava escrito, preto no branco, como parte do desenho do ensino comercial. E aí vem a primeira “curiosidade jurídica” que faz a gente engasgar: que...