Lição de casa, custos e a produtividade nossa de todo o dia
No palco, todo mundo se fantasia de virtude. Há quem vista o uniforme do “responsável”, quem coloque gravata de “maturidade” e quem carregue uma régua para medir a moral alheia. A plateia aplaude quando alguém promete “fazer o dever”, como se o país fosse uma criança levada e a economia, uma professora com olhar de reprovação. Aí o teatro fecha as cortinas e a realidade aparece com a elegância de uma porta batendo. No fim, é o carimbo no extrato que decide se você come ou se você “aprende”. O caderno do mercado Existe uma expressão que atravessa décadas como atravessa mofo: “lição de casa”. Ela vem embrulhada em papel celofane, com laço e tudo, como se fosse um presente para a nação. Só que, quando você abre, não é chocolate. É lista de tarefas. A “lição” costuma pedir sempre as mesmas coisas: apertar o cinto de quem já não tem cintura, segurar salário como se salário fosse incêndio, tratar gasto social como luxo, olhar para educação e pesquisa como se fossem hobby de fim de seman...