A República do Remendo: como investir quando o país vive de “conserto rápido”
Existe um tipo de queda que não faz barulho. Ela não derruba copos, não arrebenta vidraças, não vira manchete com sirene. Ela só muda o ângulo do chão sob os nossos pés e, quando você percebe, já está gastando a vida inteira tentando ficar em pé no mesmo lugar. Eu chamaria isso de economia de manutenção : um país que não trabalha para construir futuro, trabalha para não desabar hoje . E convenhamos: “não desabar hoje” é um objetivo muito modesto para quem se acostumou a cantar grandeza com a voz cheia e o bolso vazio. Quando a gente vive num lugar onde o planejamento virou peça de museu e a estratégia virou sinônimo de “apagar o incêndio sem molhar o tapete”, acontece uma coisa curiosa: as pessoas passam a achar normal viver em estado de emergência. A urgência vira estética. O improviso vira cultura. A gambiarra vira escola. E a incompetência, essa senhora muito bem vestida, vira tradição de família. Eu fiquei cega aos 44. Isso não me trouxe iluminação mística: trouxe uma vantagem p...