Quando a crença vale mais do que a empresa
O mundo financeiro gosta de se apresentar vestido para uma cerimônia moral. De um lado, os prudentes, disciplinados e responsáveis. Do outro, os perdulários, os imprudentes e aquela gente suspeita que aparentemente acorda cedo apenas para comprometer o futuro fiscal da humanidade. No centro do palco, economistas, gestores e comentaristas ajeitam a gravata da virtude enquanto explicam quem merece crédito, quem deve apertar o cinto e quem precisa sofrer um pouco mais para que a planilha recupere sua autoestima. No fim da palestra, alguém guarda o recibo, pega a caneta emprestada e pergunta onde valida o estacionamento. Ideias de uniforme André Lara Resende escreveu sobre a persistência de crenças econômicas que sobrevivem mesmo quando a lógica, a experiência histórica e o funcionamento concreto do sistema financeiro já lhes retiraram o chão. Entre elas está a velha noção de que o investimento dependeria necessariamente de uma poupança previamente acumulada, como se cada fábrica pre...