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Mostrando postagens de fevereiro, 2026

O Contrato em Velocidade 2x (e o Juros que Fala Baixinho)

por Ho-kei Dube — Dinheiro Que Me Veja Tem gente que veste a moral como quem veste jaleco: para parecer limpa enquanto manipula coisa contagiosa. É uma cena clássica. A voz é “educada”, o script é “protocolar”, o sorriso é “de atendimento”. No fundo, é só uma mão com luva pegando no seu pulso e chamando isso de cuidado. A parte mais interessante é o figurino: a vítima nunca é tratada como vítima. Ela é tratada como “cliente”. E cliente, você sabe, é sempre culpado de ter confiado — como se confiança fosse uma falha de caráter e não um recurso humano básico. No fim, não sobra discurso. Sobra o comprovante amassado , uma caneta falhando e um saldo que sumiu do balcão . A Fala Rápida, o Dado Lento Existe um tipo de violência que não grita. Ela corre. Ela faz questão de não deixar espaço entre uma frase e outra, porque espaço é onde a consciência nasce. É onde alguém pensa: “péra”. Quando uma pessoa atendente despeja “benefícios” na velocidade de áudio acelerado, ela não está apenas...

Manual Prático de Emburrecimento em Massa — Agora com CNPJ e Fundo de Investimento: Por que a burrice rentável nunca foi um privilégio das novas gerações?

Costumo ouvir, com certa frequência, que o mundo está emburrecendo. A cada geração, os mais velhos sussurram com pesar e convicção: “no meu tempo...” — e a frase vem seguida de uma ode à caneta azul, à paciência com a tabuada, ao respeito aos mais velhos e ao gosto por livros sem figuras. Para esses arqueólogos do próprio umbigo, o mundo desandou justamente no exato momento em que eles deixaram de entender os botões do controle remoto. Ora, me poupem. Ou melhor: me invistam. A ideia de que as novas gerações são mais burras não é apenas preguiçosa — ela é extraordinariamente conveniente. Porque transfere para os ombros dos netos a ruína que começou nos investimentos dos avôs. E o mais curioso: os que defendem essa tese não hesitam em comprar criptomoeda por indicação de sobrinho, instalar aplicativo de IA para “ver como seria seu rosto em 1800” e postar sua indignação sobre a ignorância alheia com erros de português em letras garrafais. A decadência sempre é do outro. O Álibi da Nos...

Feriado moral, segunda-feira de caixa

Tem sempre alguém na mesa dizendo que “a empresa cresce porque tem propósito”, como se propósito pagasse frete, como se valores sustentassem estoque, como se a palavra “cultura” quitasse boleto no vencimento. A cena é bonita: gente bem-intencionada, frases bem editadas, fotos bem iluminadas, e aquele ar de “somos diferentes” que o mercado ama vender — desde que o caixa não peça explicação. Só que, quando o teatro termina, a realidade assina com letra miúda. E a letra miúda, no Brasil, tem forma de recibo carimbado e saldo insuficiente. O oxigênio que ninguém posta Há um personagem que manda mais do que o diretor, mais do que o conselho, mais do que o planejamento estratégico com capa de couro: o intervalo entre vender e receber . Esse intervalo é o verdadeiro chefe. Ele não dá palestra. Ele dá falta. Capital de giro é essa coisa sem glamour que não vira foto de LinkedIn: é o ar entre a coragem de entregar e a paciência de esperar o dinheiro entrar. E “esperar” é um verbo caro. Caro do ...