Os Milionários do Tédio: Por que o dinheiro grande costuma entrar pela porta dos fundos e calça sapatos sem brilho?
Há um teatro muito simpático em curso no capitalismo contemporâneo: a plateia aplaude foguetes, aplicativos, slogans de garagem e rapazes de gola preta que prometem “disrupção” enquanto queimam caixa com a serenidade de quem acende charuto com nota alta. O mercado adora uma fantasia tecnológica, um enredo com luz azul, uma palavra em inglês e uma promessa de escala que dispense a inconveniência de dar lucro cedo demais. Enquanto isso, no canto da cena, longe do telão e do confete, alguém vende parafuso, repõe freezer, entrega legumes, abastece cozinhas, troca filtros, organiza estoque, emite boleto e dorme. No dia seguinte, acorda mais rico. No fim, o patrimônio costuma gostar mesmo é de balcão, planilha e caminhão. Tapete sem lantejoula Existe uma razão quase constrangedora para tantos negócios monótonos enriquecerem seus donos: a vida real é chata. E justamente por isso ela paga bem. As pessoas romantizam o extraordinário, mas o dinheiro grosso costuma morar na rotina. Não na rot...