A Moeda do Tanque: quando o mundo finge discutir petróleo, mas está brigando pelo recibo
Eu adoro quando a economia se fantasia de moral. Fica tudo mais fotogênico: “o bem” de um lado, “o mal” do outro, e um coro de especialistas com voz de telejornal explicando que o problema é “a instabilidade”, “a intolerância”, “a ameaça civilizacional” — como se o planeta fosse uma peça de teatro mal ensaiada. Só que quase toda grande briga internacional começa exatamente onde a poesia termina: no recibo. Não é o petróleo em si que enlouquece o mundo. É a pergunta miúda, prosaica e indecente: quem assina a nota , com qual caneta — e em que moeda . O truque do mundo moderno: transformar necessidade em religião Petróleo (e qualquer energia que mova o cotidiano) não é mercadoria comum. Ele tem uma qualidade que nenhum discurso motivacional consegue falsificar: a demanda é teimosa. Você pode cancelar streaming, cortar o brunch, virar minimalista de aplicativo. Mas, quando transporte e energia sobem, até a sua filosofia acorda com dor na lombar. O mundo, que não é bobo, fez da energia ...